Duas leituras esses dias, e duas surpresas.
A ruim primeiro: O Clube do Filme, de David Gilmour. Falaram tanto desse livro, a historia verídica do escritor e critico de cinema canadense e seu filho adolescente, que não quer mais estudar. Ele, o pai, toma uma atitude radical: autoriza o filho a não ir mais à escola em troca da obrigação de assistir semanalmente a três filmes e discuti-los depois. Ou seja, aprender sobre a vida através do cinema. O enredo parecia bem interessante, mas que ledo engano.
Nada funciona no livro. Nem a “grande idéia” do pai (o menino fica mais perdido do que nunca), nem o tal clube do filme (os filmes escolhidos não tem propósitos educativos) e nem sequer o texto é interessante (achei chato e maçante). Dá a impressão que o autor quer apenas impressionar a gente com seus “conhecimentos cinematográficos”, mas pra mim ele conhece cinema de forma burocrática e acadêmica (no mau sentido). A imagem que fica é a de um pai irresponsável e de um filho sem a menor perspectiva de futuro. Quando acabei de ler o livro, fiquei pensando – meu Deus, que família tão triste...
Prefiro o seu homônimo, o David Gilmour do Pink Floyd, que nunca me decepcionou.
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Agora um livro sensacional: Dissolução, de C. J. Sansom, escritor e historiador inglês. O romance inaugura a série histórica da Coleção Negra, da editora Record, que publica mensalmente os melhores textos da literatura policial contemporânea. Eu amo o gênero policial, com seu enigma que fica no ar o tempo todo pedindo pra ser resolvido, e não estou falando de Agatha Christie, não... Existem grandes autores escrevendo ficção policial hoje pelo mundo, seguindo as pegadas dos mais conhecidos Dashiel Hammet, Patrícia Highsmith, Rex Stout ou Ed McBain. Por exemplo - tem Andrea Camilleri, na Itália; Henning Mankel, na Suécia; o grande Manuel Vazquez Montalbán, na Espanha; Fred Vargas e Brigitte Aubert, na França; P.D.James, na Inglaterra; Lawrence Block e Dennis Lehane, nos Estados Unidos, José Latour, em Cuba e mesmo Luiz Alfredo Garcia Roza, no Brasil. Conhecem? E ainda muitos outros, todos extremamente criativos, com detetives/protagonistas inesquecíveis, não canso de acompanhar as aventuras de cada um em suas cidades.
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Pois agora me chega às mãos esse Dissolução, surpreendente policial histórico. O enredo se passa em 1537, em pleno reinado de Henrique VIII, na Inglaterra. É a época da Reforma, quando a Igreja Anglicana substituiu a Igreja Católica como religião oficial em todo o país. Ana Bolena tinha acabado de ser decapitada e Cromwell comandava a destruição de templos e mosteiros, os julgamentos fraudulentos e as execuções que mataram milhares de católicos. Para sufocar a revolta popular e comandar as investigações sobre a morte de um comissário do rei durante uma das rebeliões, Cromwell convoca Matthew Shardlake, o melhor e mais esperto advogado dos tribunais ingleses, que além disso é quase anão e corcunda. Sensacional. Lembra muito O Nome da Rosa, de Umberto Eco, estou adorando.